
1.
DEFINIÇÃO
A SURDOCEGUEIRA
A surdocegueira é a deficiência,
em diversos graus, dos sentidos de audição e visão; isto é, o surdocego pode
ver ou ouvir em pequenos níveis, dependendo do caso.
Com base nos estudos de McInnes, a
fim de classificarmos alguém de surdocego é preciso que esse indivíduo não
tenha suficiente visão para compensar a perda auditiva, ou vice-versa, que não
possua audição suficiente para compensar a falta de visão.
Vários autores (tais como Writer,
Freeman, Wheeler & Griffin, McInnes) defendem a surdocegueira como única,
não como a soma de dois comprometimentos sensoriais.
Segundo o ponto de vista sensorial de
Miles e Riggio, surdocegos podem ser:
·
indivíduos surdos profundos e cegos;
·
indivíduos surdos e têm pouca visão;
·
indivíduos com baixa audição e que são cegos;
·
indivíduos com alguma visão e audição.
A
DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA
A deficiência múltipla é a
ocorrência de duas ou mais deficiências simultaneamente – sejam deficiências
intelectuais, físicas ou ambas combinadas. Não existem estudos que comprovem
quais são as mais recorrentes.
As
causas podem ser pré-natais, por má-formação congênita e por infecções virais
como rubéola ou doenças sexualmente transmissíveis, que também podem causar
deficiência múltipla em indivíduos adultos, se não tratadas.
Segundo
a Associação Brasileira de Pais e Amigos dos Surdo-cegos e dos Múltiplos
Deficientes Sensoriais (Abrapacem), o modo como cada deficiência afetará o
aprendizado de tarefas simples e o desenvolvimento da comunicação do indivíduo
varia de acordo com o grau de comprometimento propiciado pelas deficiências,
associado aos estímulos que essa pessoa vai receber ao longo da vida.
2. TIPOS
Surdo-cegueira: Cegueira congênita e surdez
adquirida Surdez congênita e cegueira adquirida Cegueira e surdez congênita
Cegueira e surdez adquirida Baixa visão com surdez congênita ou adquirida.
Deficiência Múltipla : Surdez com deficiência mental
leve ou severa. Surdez com distúrbios neurológicos, de conduta e emocionais.
Surdez com deficiência física (leve ou severa). Baixa visão com deficiência
mental leve ou severa. Baixa visão com distúrbios neurológicos, emocionais e de
linguagem e conduta. Baixa visão com deficiência física (leve ou severa).
Cegueira com deficiência física (leve ou severa). Cegueira com deficiência
mental (leve ou severa). Cegueira com distúrbios emocionais, neurológicos,
conduta e linguagem.
3. CAUSAS:
-
Icterícia
- Otite média crônica
- Citomegalovirus
- Falta de oxigênio
- Sarampo
- Traumatismos (acidentes)
- Glaucoma
- Medicação teratogênica
- Retinose pigmentar
- Tumor cerebral
- Toxoplasmose
- Prematuridade
- Meningite
- Medicação ototóxica
- Hidro e microcefalia
- Fator rh
- Caxumba
- Catarata
- Casamentos consangüíneos
4.
NECESSIDADES BÁSICAS
O corpo
é a realidade mais imediata do ser humano. A partir e por meio dele, o homem descobre o mundo e a si mesmo. Portanto,
favorecer o desenvolvimento do esquema corporal da pessoa com surdocegueira ou
com deficiência múltipla é de extrema importância.
Para
que a pessoa possa se auto perceber e perceber o mundo exterior, devemos buscar
a sua verticalidade, o equilíbrio postural, a articulação e a harmonização de
seus movimentos; a autonomia em deslocamentos e movimentos; o aperfeiçoamento
das coordenações viso motora, motora global e fina; e o desenvolvimento da
força muscular.
As
pessoas com surdocegueira e com deficiência múltipla, que não apresentam graves
problemas motores, precisam aprender a usar as duas mãos. Isso para servir como
tentativa de minorar as eventuais estereotipias motoras e pela necessidade do
uso de ambas para o desenvolvimento de um sistema estruturado de comunicação.
Devido
às dificuldades fonoarticulatórias, motoras ou mesmo neurológicas, é comum nessas
pessoas algum tipo de limitação na comunicação e no processamento e elaboração das
informações recolhidas do seu entorno. Isso pode resultar em prejuízos no
processo de simbolização das experiências vividas, por acarretar carência de
sentido para as mesmas.
Prioritariamente
deve-se, portanto, disponibilizar recursos para favorecer a aquisição da
linguagem estruturada no registro simbólico, tanto verbal quanto em outros
registros, como o gestual, por exemplo.
Mesmo
quando a deficiência predominante não é na área intelectual, todo trabalho com o
aluno com deficiência múltipla e com surdocegueira implica em constante
interação com o meio ambiente. Este processo interacional é prejudicado quando
as informações sensoriais e a organização do esquema corporal são deficitárias.
Prever a estimulação e a organização desses meios de interação com o mundo deve
fazer parte do Plano de AEE.
5.ESTRATÉGIAS
UTILIZADAS PARA AQUISIÇÃO DA COMUNICAÇÃO
5.1 NA
SURDOCEGUEIRA
Sem
os sistemas adequados de comunicação, o avanço nos estágios de desenvolvimento
da
linguagem pode levar mais tempo para ocorrer. Além disso, o progresso é mais
lento,
mas
não é necessariamente uma evidência de que a pessoa com surdocegueira tem um
baixo
potencial, mas sim lhe faltam os recursos de comunicação para responder
significativamente ao meio ambiente.
O
ambiente deve ser planejado e organizado adequadamente para inserção da pessoa
com surdocegueira, favorecendo a interação com pessoas e objetos. Isso a
auxilia a realizar antecipações, obter pistas e escolher com quem quer estar e
quais as atividades que deseja fazer.
Durante
o processo de comunicação, o professor ou outro interlocutor tem a função
de:
antecipar o que vai acontecer ou o local em que vai acontecer a atividade;
estimular a
pessoa
para se comunicar e explorar o ambiente; confirmar se ela está interpretando as
informações
e a todo o momento comunicar o que ocorre no ambiente.
A
pessoa com surdocegueira apresenta uma habilidade reduzida para antecipar
eventos
futuros
por pistas do ambiente. Por exemplo, a mãe entrando no quarto não significa
de
imediato o conforto, a comida ou o carinho.
A
redução na quantidade de estimulação recebida do mundo externo pode resultar em
hábitos
substitutivos e inapropriados de auto-estimulação pela pessoa com
surdocegueira.
Como,
por exemplo: movimentação contínua, balanceio, mexer os dedos na frente dos
olhos,
olhar fixo para fontes de luz ou a repetição ritualística de atividades
específicas.
Se
uma comunicação efetiva não for estabelecida na infância, a pessoa pode ao
crescer,
tornar-se
um jovem ou adulto com comportamentos inadequados para se comunicar. Pode
utilizar,
assim, às vezes de força física para poder dizer que não quer algo como, por
exemplo: empurrar a
pessoa ou retirar da mão de uma pessoa algo que deseja.
5.2
NA DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA
Todas
as interações de comunicação e atividades de aprendizagem devem respeitar a
individualidade e a dignidade de cada aluno com deficiência múltipla. Isto se
refere a pessoas que possuem como característica a necessidade de ter alguém
que possa mediar seu contato com o meio. Assim, ocorrerá o estabelecimento de
códigos comunicativos entre o deficiente múltiplo e o receptor. Esse mediador
terá a responsabilidade de ampliar o conhecimento do mundo ao redor dessa
pessoa, visando a lhe proporcionar autonomia e independência.
Todas
as pessoas se comunicam, ainda que em diferentes níveis de simbolização e com
formas
de comunicação diversas; assim, considera-se que qualquer comportamento poderá ser
uma tentativa de comunicação. Dessa maneira, é preciso estar atento ao contexto
no qual os comportamentos, as manifestações ocorrem e sua freqüência, para
assim compreender melhor o que o aluno tem a intenção de comunicar e responder.
Referências Bibliográficas:
BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S.
H.; MAIA, Shirley R. Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva
da Inclusão Escolar - Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla
(2010).
BLAHA, Robbie. Calendários - Para Alunos com múltiplas
deficiências Incluindo surdocegueira. Escola Texas para Cegos e com Baixa Visão
– 2003. Tradução em 2005 – Projeto Horizonte. Tradução: Márcia Maurilio Souza.
Revisão: Shirley Rodrigues Maia e Lília Giacomini.