domingo, 16 de março de 2014

EDUCAÇÃO ESCOLAR DE PESSOA COM SURDEZ



   A educação escolar de crianças com deficiência auditiva nos faz pensar não só a questões referentes aos seus limites e possibilidades, mas também aos preconceitos existentes nas atitudes da sociedade para com elas. As pessoas com surdez enfrentam inúmeros entraves para participar da educação escolar,decorrentes da perda da audição e da forma como se estruturam as propostas educacionais das escolas.(DAMÁZIO,2007)
  Estudos realizados na última década do século XX e início do século XXI, por diversos autores e pesquisadores oferecem contribuições à educação de alunos com surdez na escola comum ressaltando a valorização das diferenças no convívio social e o reconhecimento do potencial de cada ser humano.

  Para Poker (2001) as trocas simbólicas provocam a capacidade representativa desses alunos, favorecendo o desenvolvimento do pensamento e do conhecimento, em ambientes heterogêneos de aprendizagem. No entanto,existem posições contrárias à inclusão de alunos com deficiência auditiva nas turmas comuns,em decorrência da compreensão das formas de representação da surdez como incapacidade ou das propostas pedagógicas tradicionalmente desenvolvidas para atende-lós que não consideram a diversidade lingüística.
  Conforme Silker (1999) considera que o modelo excludente da Educação Especial está sendo substituído por outro, em nome da inclusão que acaba por não respeitar a identidade das crianças com deficiência auditiva, assim como sua cultura e sua comunidade.
  A inclusão dos alunos com deficiência auditiva na escola comum requer que se busquem meios para beneficiar sua participação e aprendizagem tanto na sala de aula como no Atendimento Educacional Especializado.
   Conforme Dorziart (1998), o aperfeiçoamento da escola comum em favor de todos os alunos é primordial.Esta autora observa que os professores precisam conhecer e usar a Língua de Sinais,entretanto,deve-se considerar que a simples adoção dessa língua não é suficiente para escolarizar o aluno com deficiência auditiva.
   Ao optar-se em oferecer uma educação bilíngüe, a escola está assumindo uma política lingüística em que duas línguas passarão a co-existi no espaço escolar. Além disso,também será definido qual será a primeira língua e qual será a segunda língua, bem como as funções em cada uma delas irá representar no ambiente escolar.Pedagogicamente, a escola vai pensar em como estas línguas estarão acessíveis às criança,alem de desenvolver as demais atividades escolares.As línguas podem estar permeando as atividades escolares ou serem objetos de estudo em horários específicos dependendo da proposta da escola.Isso vai depender de "como","onde",e "de que forma"as crianças utilizam as línguas na escola.(MEC/SEESP,2006)
   O problema da educação das pessoas com surdez não pode continuar sendo centrado nessa ou naquela língua, como ficou até agora, mas deve levar-nos a compreender que o foco do fracasso escolar não está só nessa questão, mas também na qualidade e na eficiência das práticas pedagógicas.
   Inúmeras polêmicas tem se formado em torno da educação escolar para crianças com deficiência auditiva. A proposta de educação escolar inclusiva é um desafio,que para ser efetivada faz-se necessário considerar que os alunos com deficiência auditiva tem direito de acesso ao conhecimento,à acessibilidade,bem como ao Atendimento Educacional Especializado.
 Conforme Bueno(2001),é preciso ultrapassar a visão que reduz os problemas de escolarização das crianças com deficiência auditiva ao uso desta ou daquela língua,mas sim de ampliá-la para os campos sócio políticos.
   A pessoa com surdez não é estrangeira em seu próprio país, mas usuária de um sistema lingüístico com características e status próprios, no qual cognitivamente se organiza e estrutura o pensamento e a linguagem nos processos de mediação simbólica, na relação da linguagem/pensamento/realidade e práxis social.

  A aquisição da língua de sinais, de fato, não é garantia de uma aprendizagem significativa. O ambiente em que a pessoa com surdez está inserida, em especial, o da escola comum, uma vez que não lhe oferece condições para que se estabeleçam mediações simbólicas com o meio físico e social, não exercita ou provoca a capacidade representativa dessas pessoas, conseqüentemente, compromete o desenvolvimento do pensamento, da linguagem e da produção de sentidos.

   Se lhes forem criados ambientes propícios para desenvolverem o seu potencial, as marcas do déficit, da falta, da falha e da deficiência serão secundarizadas e será exaltado o seu potencial humano. Em segundo lugar, o foco deve ser a transformação da escola e das suas práticas pedagógicas excludentes em inclusivas, pois compreendemos o homem como um ser dialógico, transformacional, inconcluso, reflexivo, síntese de múltiplas determinações num conjunto de relações sociais, com capacidade de idealizar e de criar.



Referência Bibliográfica:

DAMÁZIO,M. F.;FERREIRA, J.P. - Educação Escolar de Pessoa com Surdez - Atendimento Educacional Especializado em Construção- Coletânea UFC-MEC/2010,p.46-57.

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