segunda-feira, 28 de abril de 2014

A DIFERENÇA ENTRE SURDOCEGUEIRA E DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA




1.    DEFINIÇÃO

A SURDOCEGUEIRA
A surdocegueira é a deficiência, em diversos graus, dos sentidos de audição e visão; isto é, o surdocego pode ver ou ouvir em pequenos níveis, dependendo do caso.
Com base nos estudos de McInnes, a fim de classificarmos alguém de surdocego é preciso que esse indivíduo não tenha suficiente visão para compensar a perda auditiva, ou vice-versa, que não possua audição suficiente para compensar a falta de visão.
Vários autores (tais como Writer, Freeman, Wheeler & Griffin, McInnes) defendem a surdocegueira como única, não como a soma de dois comprometimentos sensoriais.
Segundo o ponto de vista sensorial de Miles e Riggio, surdocegos podem ser:
·         indivíduos surdos profundos e cegos;
·         indivíduos surdos e têm pouca visão;
·         indivíduos com baixa audição e que são cegos;
·         indivíduos com alguma visão e audição.

A DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA
A deficiência múltipla é a ocorrência de duas ou mais deficiências simultaneamente – sejam deficiências intelectuais, físicas ou ambas combinadas. Não existem estudos que comprovem quais são as mais recorrentes.
As causas podem ser pré-natais, por má-formação congênita e por infecções virais como rubéola ou doenças sexualmente transmissíveis, que também podem causar deficiência múltipla em indivíduos adultos, se não tratadas.
Segundo a Associação Brasileira de Pais e Amigos dos Surdo-cegos e dos Múltiplos Deficientes Sensoriais (Abrapacem), o modo como cada deficiência afetará o aprendizado de tarefas simples e o desenvolvimento da comunicação do indivíduo varia de acordo com o grau de comprometimento propiciado pelas deficiências, associado aos estímulos que essa pessoa vai receber ao longo da vida.

2. TIPOS

Surdo-cegueira: Cegueira congênita e surdez adquirida Surdez congênita e cegueira adquirida Cegueira e surdez congênita Cegueira e surdez adquirida Baixa visão com surdez congênita ou adquirida.
Deficiência Múltipla : Surdez com deficiência mental leve ou severa. Surdez com distúrbios neurológicos, de conduta e emocionais. Surdez com deficiência física (leve ou severa). Baixa visão com deficiência mental leve ou severa. Baixa visão com distúrbios neurológicos, emocionais e de linguagem e conduta. Baixa visão com deficiência física (leve ou severa). Cegueira com deficiência física (leve ou severa). Cegueira com deficiência mental (leve ou severa). Cegueira com distúrbios emocionais, neurológicos, conduta e linguagem. 

3. CAUSAS:


- Icterícia       
- Otite média crônica    
- Citomegalovirus  
- Falta de oxigênio   
- Sarampo            
- Traumatismos (acidentes)  
- Glaucoma               
- Medicação teratogênica  
- Retinose pigmentar               
- Tumor cerebral             
- Toxoplasmose     
- Prematuridade   
- Meningite       
- Medicação ototóxica 
- Hidro e microcefalia
- Fator rh        
- Caxumba        
- Catarata        
- Casamentos consangüíneos   



4. NECESSIDADES BÁSICAS

O corpo é a realidade mais imediata do ser humano. A partir e por meio dele, o homem  descobre o mundo e a si mesmo. Portanto, favorecer o desenvolvimento do esquema corporal da pessoa com surdocegueira ou com deficiência múltipla é de extrema importância.
Para que a pessoa possa se auto perceber e perceber o mundo exterior, devemos buscar a sua verticalidade, o equilíbrio postural, a articulação e a harmonização de seus movimentos; a autonomia em deslocamentos e movimentos; o aperfeiçoamento das coordenações viso motora, motora global e fina; e o desenvolvimento da força muscular.
As pessoas com surdocegueira e com deficiência múltipla, que não apresentam graves problemas motores, precisam aprender a usar as duas mãos. Isso para servir como tentativa de minorar as eventuais estereotipias motoras e pela necessidade do uso de ambas para o desenvolvimento de um sistema estruturado de comunicação.
Devido às dificuldades fonoarticulatórias, motoras ou mesmo neurológicas, é comum nessas pessoas algum tipo de limitação na comunicação e no processamento e elaboração das informações recolhidas do seu entorno. Isso pode resultar em prejuízos no processo de simbolização das experiências vividas, por acarretar carência de sentido para as mesmas.
Prioritariamente deve-se, portanto, disponibilizar recursos para favorecer a aquisição da linguagem estruturada no registro simbólico, tanto verbal quanto em outros registros, como o gestual, por exemplo.
Mesmo quando a deficiência predominante não é na área intelectual, todo trabalho com o aluno com deficiência múltipla e com surdocegueira implica em constante interação com o meio ambiente. Este processo interacional é prejudicado quando as informações sensoriais e a organização do esquema corporal são deficitárias. Prever a estimulação e a organização desses meios de interação com o mundo deve fazer parte do Plano de AEE.

5.ESTRATÉGIAS UTILIZADAS PARA AQUISIÇÃO DA COMUNICAÇÃO

5.1 NA SURDOCEGUEIRA   

Sem os sistemas adequados de comunicação, o avanço nos estágios de desenvolvimento
da linguagem pode levar mais tempo para ocorrer. Além disso, o progresso é mais lento,
mas não é necessariamente uma evidência de que a pessoa com surdocegueira tem um
baixo potencial, mas sim lhe faltam os recursos de comunicação para responder significativamente ao meio ambiente.
O ambiente deve ser planejado e organizado adequadamente para inserção da pessoa com surdocegueira, favorecendo a interação com pessoas e objetos. Isso a auxilia a realizar antecipações, obter pistas e escolher com quem quer estar e quais as atividades que deseja fazer.
Durante o processo de comunicação, o professor ou outro interlocutor tem a função
de: antecipar o que vai acontecer ou o local em que vai acontecer a atividade; estimular a
pessoa para se comunicar e explorar o ambiente; confirmar se ela está interpretando as
informações e a todo o momento comunicar o que ocorre no ambiente.
A pessoa com surdocegueira apresenta uma habilidade reduzida para antecipar eventos
futuros por pistas do ambiente. Por exemplo, a mãe entrando no quarto não significa
de imediato o conforto, a comida ou o carinho.
A redução na quantidade de estimulação recebida do mundo externo pode resultar em
hábitos substitutivos e inapropriados de auto-estimulação pela pessoa com surdocegueira.
Como, por exemplo: movimentação contínua, balanceio, mexer os dedos na frente dos
olhos, olhar fixo para fontes de luz ou a repetição ritualística de atividades específicas.
Se uma comunicação efetiva não for estabelecida na infância, a pessoa pode ao crescer,
tornar-se um jovem ou adulto com comportamentos inadequados para se comunicar. Pode
utilizar, assim, às vezes de força física para poder dizer que não quer algo como, por
exemplo: empurrar a pessoa ou retirar da mão de uma pessoa algo que deseja.

5.2 NA DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA

Todas as interações de comunicação e atividades de aprendizagem devem respeitar a individualidade e a dignidade de cada aluno com deficiência múltipla. Isto se refere a pessoas que possuem como característica a necessidade de ter alguém que possa mediar seu contato com o meio. Assim, ocorrerá o estabelecimento de códigos comunicativos entre o deficiente múltiplo e o receptor. Esse mediador terá a responsabilidade de ampliar o conhecimento do mundo ao redor dessa pessoa, visando a lhe proporcionar autonomia e independência.
Todas as pessoas se comunicam, ainda que em diferentes níveis de simbolização e com
formas de comunicação diversas; assim, considera-se que qualquer comportamento poderá ser uma tentativa de comunicação. Dessa maneira, é preciso estar atento ao contexto no qual os comportamentos, as manifestações ocorrem e sua freqüência, para assim compreender melhor o que o aluno tem a intenção de comunicar e responder.


Referências Bibliográficas: 
BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA, Shirley R. Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar - Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla (2010). 
BLAHA, Robbie. Calendários - Para Alunos com múltiplas deficiências Incluindo surdocegueira. Escola Texas para Cegos e com Baixa Visão – 2003. Tradução em 2005 – Projeto Horizonte. Tradução: Márcia Maurilio Souza. Revisão: Shirley Rodrigues Maia e Lília Giacomini. 


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